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Termo de referência sem retrabalho: o roteiro que evita impugnações

Equipe LicProNúcleo jurídico-licitatório
8 de junho de 2026 · 9 min de leitura

A maioria das impugnações e dos atrasos em licitação não nasce na sessão — nasce semanas antes, em um termo de referência mal escrito. Especificação imprecisa atrai questionamento; exigência restritiva demais atrai impugnação; objeto mal delimitado atrai proposta inexequível e aditivo depois. O termo de referência é onde a licitação dá certo ou dá errado. Este é o roteiro para acertar de primeira.

Na Lei nº 14.133/2021, o termo de referência é o documento que define o objeto e reúne os elementos necessários à contratação de bens e serviços (art. 6º, XXIII). Ele não é burocracia de abertura: é a tradução da necessidade administrativa em algo que o mercado consegue entender, precificar e cumprir.

Começa antes: o estudo técnico preliminar

Um bom termo de referência não brota do nada — ele decorre do estudo técnico preliminar (ETP), a etapa de planejamento em que a Administração caracteriza a necessidade, avalia alternativas e estima custos. Pular essa fase é a origem de quase todo retrabalho: sem ETP, o termo nasce sem base, e o que falta no planejamento reaparece como impugnação ou aditivo.

O que o termo de referência precisa conter

A linha vermelha: não restringir a competição. Exigências sem justificativa técnica que limitam o universo de licitantes são ilegais — e impugnáveis. A lei chega a tipificar como crime a frustração do caráter competitivo (art. 337-F do Código Penal). Marca sem equivalência, quantitativo desproporcional e prazo de visita técnica impraticável são os clássicos que derrubam editais.

Os erros que mais geram impugnação (e como evitar)

"A imprecisão possibilita o oferecimento de propostas com valores que podem ser ínfimos, inexequíveis de plano, ou propostas com valores muito acima dos que se poderiam conseguir, caso estivesse bem delineado o objeto da contratação." Doutrina citada em Licitações e contratos administrativos (ed. 2025)

O ganho de fazer certo na primeira vez

Um termo de referência bem construído reduz impugnações, encurta o cronograma, atrai mais propostas válidas e protege o gestor diante do controle. Ele é o ponto de maior alavancagem de toda a contratação: cada hora investida na sua redação economiza semanas de retrabalho — e evita a anulação do certame lá na frente. Para o órgão, é eficiência; para o gestor, é segurança pessoal; para o mercado, é a clareza que faz a empresa certa querer participar.

Fontes: MIRANDA, Henrique Savonitti. Licitações e contratos administrativos. 2. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2025. Lei nº 14.133/2021, arts. 6º (XXIII e XXV), 18 e 40; Código Penal, art. 337-F. Conteúdo informativo; não substitui análise do caso concreto.

Perguntas frequentes

O que é o termo de referência na Lei 14.133?

É o documento que define o objeto da licitação e os elementos necessários à contratação de bens e serviços (art. 6º, XXIII): definição do objeto, fundamentação, descrição da solução, requisitos, modelo de execução e gestão e critérios de medição e pagamento.

Por que o termo de referência gera tantas impugnações?

Porque especificações imprecisas ou restritivas abrem espaço para questionamento. Exigências sem justificativa técnica que limitam a competição são ilegais e impugnáveis, e a frustração indevida do caráter competitivo chegou a ser tipificada como crime (art. 337-F do Código Penal).

Termo de referência e projeto básico são a mesma coisa?

Não. O termo de referência é usado para bens e serviços em geral; o projeto básico e o executivo aplicam-se a obras e serviços de engenharia. Ambos derivam do estudo técnico preliminar e detalham o objeto a contratar.

Equipe LicPro Núcleo jurídico-licitatório

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